O mini-crítico

De Parelheiros a Wembley, eu tô de olho na bola que rola.

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Arquivo de: Agosto 2008

13.08.08

Seleção do turno - Parte II



Carlinhos Paraíba, do Coritiba - Uma espécie de Elano recuado, Paraíba é o faz-tudo no meio-campo do Coxa. Dono de fôlego impressionante, Carlinhos pode ser considerado o motorzinho do time, principalmente pela qualidade que acrescenta nos passes - seja fazendo ligação com o ataque ou tabelando com os alas.
Ibson começou a cair de rendimento justo quando enfrentou o Coritiba de Paraíba, mas merece ser lembrado. Ramón, veteraníssimo, vem regendo o meio-campo do Vitória com muito sucesso. É bem verdade que cansa rápido nos jogos, mas dá grande contribuição enquanto pode. E Lúcio Flávio vem sendo peça imprescindível nessa retomada botafoguense, não podendo ser descartado.

Marquinhos, do Vitória - O ex-corinthiano Mirandinha costumava dizer: "Ou eu penso ou eu corro". Grande revelação do Brasileirão até aqui, Marquinhos mostrou que faz os dois. E como... Some a isso grande visão de jogo e poder de fogo para fazer gols e pronto, você tem Marquinhos.
Wagner, do Cruzeiro, faz um grande campeonato também. É um daqueles meias às antigas, que eu tanto admiro, um pouco Souza (ex-Corinthians), um pouco Alex (ex-Cruzeiro). Romerito é outro que encanta: como vem jogando o desengonçado meia do Goiás! "Faz tempo", dizem os torcedores do Santo André, com razão. Inteligente e ágil, é quase imparável pela ponta-esquerda esmeraldina. Alex, do Inter, vinha jogando muito. Muito mesmo. Outro daqueles meias em extinção. Se bem que vinha jogando adiantado, quase de atacante. Até que se lesionou...

Iarley, do Goiás - Um atacante que encanta pela chatice. Isso mesmo. Pergunte a qualquer zagueiro como é marcar Iarley. Tarefa infernal. Eu costumo apontá-lo como um dos jogadores mais inteligentes do país. E quando é assim, o aspecto físico - e lá se vão 34 anos - passa a não fazer tanta diferença. O Goiás que o diga. Desde que conseguiu reunir a dupla Iarley-Romerito, conseguiu desmentir a lógica, já que era nome mais que certo para cair. E isso, eu valorizo muito.
Merecem ser citados aqui Dagoberto, que recuperou seu belo futebol - com menos responsabilidades defensivas agora, o lépido Maikon Leite, com suas grandes atuações pelo Santos e Guilherme, que alternou altos e baixos durante o turno.

Keirrison, do Coritiba - Afastado de 7 jogos por lesão, o irmão de Kimarrison já soma 10 gols no Brasileirão. Sim, o irmão dele se chama Kimarrison. E ele tem uma média espantosa... Mas, pra mim, a média é o que menos importa. A questão é que Keirrison é veloz e técnico, características que raramente se casam com atacantes matadores como ele. Jogador semelhante a Nilmar, que também fez um belo 1º turno, especificamente nos jogos contra São Paulo, Goiás, Fluminense e Náutico e, por isso, merece menção honrosa. Atacante é o que não falta pra essa seleção: Adeílson, Dinei, Jonas, Marcinho, Jorge Henrique, Perea, Reinaldo, Kléber Pereira, Alex Mineiro...

Celso Roth, do Grêmio - Com escasso material humano e pressão gigantesca nas costas, Roth armou seu time bem ao clichê gremista, privilegiando o jogo coletivo e pragmático. Assim, superou a saída de seu armador, Roger, trazendo Tcheco (e beneficiando-se de uma brecha no regulamento para inscrevê-lo antes da data esperada) para a função. Ousou ao lançar dois garotos - William Magrão e Rafael Carioca - no meio-campo, quando perdeu Eduardo Costa. Mostrou ao país que é possível jogar no 3-5-2 mesmo sem ter alas espantosamente ofensivos. E mostrou-se devidamente preocupado com o elenco enxuto, trazendo Souza e Orteman, que muito serão úteis ao longo da competição. Por isso tudo, é mais do que justo que seja eleito o melhor treinador do turno.

Menções honrosas a Vagner Mancini, Ney Franco e Dorival Junior.

Seleção do turno - Parte I



Victor
, do Grêmio - Aposta de Vagner Mancini, que o trouxe do Paulista em janeiro, Victor chegou ao Olímpico sob a desconfiança da torcida gremista. E mesmo assim, mostrou-se um goleiro seguro, com boa saída do gol e, principalmente, nada espalhafatoso, como já sabiam os torcedores do Galo da Japi.
Rogério Ceni e Marcos também tiveram atuações dignas de nota. Fábio passa a velha insegurança - que não transmitia nos tempos de Vasco - e Bruno mostrou que tem muito a amadurecer para pleitear a Seleção.

Leonardo Moura, do Flamengo - Para muitos, seu talento foi ofuscado por Juan. A verdade é que Léo Moura vem mostrando há pelo menos um ano e meio o mesmo futebol que o fez despertar para o cenário futebolístico, no Rio-São Paulo 2002, quando defendia o Vasco. Desde então, rodou por Palmeiras, São Paulo - sendo mandado até para Cotia -, Fluminense e o modestíssimo Sporting Braga. É verdade que nos últimos jogos caiu de rendimento, ao passo que o volante improvisado Thiaguinho, do Botafogo vem em uma ascenção impressionante. Mas considerando o turno inteiro, fico com Léo Moura. Lembrando ainda das boas atuações do previsível Paulo Sérgio, do Grêmio, e do polivalente Marquinhos Paraná, do Cruzeiro.

Fábio Luciano, do Flamengo - O capitão rubro-negro é um desses zagueiros que quase nunca falham. Se posiciona inteligentemente, é ótimo no jogo aéreo e não brinca com a bola nos pés. Costuma jogar sério, como os bons defensores da história sempre fizeram. De quebra, é um dos raros flamenguistas que mantiveram a regularidade na competição. Menção honrosa para André Dias, que faz belíssimo campeonato, mostrando segurança em todas as partidas e Sorondo, jogador de rara elegância que Tite dá sinais de querer deixar no banco. André Luís, do Botafogo, também fez um excelente 1º turno, apesar da ranhetice de alguns críticos - que não são mini - mais apegados a estereótipos.

Réver, do Grêmio - Outro trazido de Jundiaí a Porto Alegre sob certa desconfiança da massa tricolor, o zagueiro de nome estranho mostrou-se técnico e calmo o bastante para ser boa opção de saída de jogo pela esquerda da zaga gremista. A maioria apontará seu parceiro Léo para essa seleção. Eu não, apesar de reconhecer talento no garoto.
Menção honrosa para Miranda, o melhor zagueiro do país, que se machucou no meio do turno e, por justiça, não está na seleção e para Bruno Rodrigo, ótimo defensor projetado pela Lusa ano passado, que vem se afirmando esse ano, sendo um dos poucos destaques rubro-verdes.

Juan, do Flamengo - Inquestionável. Essa é a melhor palavra para definir Juan no momento. Jogador de velocidade, como os antigos pontas e de lançamentos precisos, como os armadores em extinção.
É importante citar, porém, o magnífico campeonato que faz Leandro, pelo Palmeiras. Um jogador curioso, que parece só jogar bem quando é comandado por Luxemburgo. Ano passado, por exemplo, parecia até indolente sob a batuta de Caio Junior. Em 2008, passam por ele quase todos os gols palmeirenses. Alex Mineiro tem muito o que agradecer a essa revelação do Ameriquinha carioca.

Fabrício, do Cruzeiro - O homem que chamou Alberto Dualib de gagá vem jogando muita bola nessa ótima meia-cancha do Cruzeiro. Típico jogador que dita o ritmo do jogo, Fabrício tem ainda se mostrado boa opção nas cobranças de faltas - contando muitas vezes com a colaboração dos goleiros.
O mau-humorado Túlio vem fazendo belas apresentações pelo Botafogo, inclusive marcando gols, coisa que nunca foi muito chegado em fazer.
Zé Luís, um daqueles jogadores que todo técnico quer ter, é seguramente o jogador mais regular do São Paulo e faz por merecer uma menção honrosa, assim como o implacável Guiñazu, que joga mais adiantado, quase como um terceiro volante.

Hernanes, do São Paulo - Em uma palavra? Craque. Imprevisível e habilidosíssimo, Hernanes é daqueles jogadores que fazem um metro quadrado parecer dez. Ambidestro, dificulta a vida de seus marcadores, que nunca sabem pra que lado ele vai cortar e mandar seu chute venenoso. Chamá-lo de volante é eufemismo, mas uma boa forma de encaixá-lo neste escrete.
Merecem menções aqui o talentoso William Magrão, que já chamava atenção no fim de 2007, Ramires, do Cruzeiro, que dispensa apresentações e Charles, também da Raposa, que chamou muita atenção (ao lado do lateral-direito Mariano) já no Ipatinga que eliminou o Palmeiras da Copa do Brasil 2007 em pleno Parque Antártica.


11.08.08

O mais próximo do fascismo que o futebol chegou



No post anterior, fiz questão de ignorar o ridículo Campeonato Paulista de Futebol Feminino de 2001.

O certame transmitido pela RedeTV!, ficou conhecido por usar a beleza - um conceito, até onde sei, subjetivo - das atletas como "critério de desempate" no draft realizado antes do torneio.

Segundo o eterno Eduardo José Farah, presidente da FPF naquele e em muitos outros anos, a iniciativa tinha a intenção de "dar uma nova roupagem ao futebol feminino", que andava "muito reprimido pelo machismo". O brilhante critério foi criado pela competentíssima Pelé Sports & Marketing e prontamente avalizado pelo vice da Federação, Renato Duprat - de quem os corinthianos e santistas guardam lindas lembranças.

Caso estivesse interessada, Sissi - a maior jogadora da época - não poderia jogar o torneio, já que o regulamento proibia a presença de atletas com a cabeça raspada. Além disso, previa que as jogadoras usassem maquiagem e uniformes justos. Tudo isso, claro, para afastar o futebol feminino do machismo. Regulamento criado, diga-se de passagem, só por homens.

E eu fico a imaginar:

Quem sabe a empresa de Pelé não tenha se inspirado nas medidas ultra-autoritárias de outro cidadão de quem a massa corinthiana morre de saudades: Daniel Passarella.

O técnico da Argentina em 98 deixou de levar Fernando Redondo à Copa só por ter cabelos compridos. E só não deixou o artilheiro Batistuta de lado porque este aceitou tosar suas prezadas madeixas.

O interessante é notar que tanto a Argentina quadrifinalista na Copa da França, quanto o Campeonato Paulista Feminino de 2001 não vingaram.

E o esporte bretão agradeceu.


10.08.08

Toda goleira tem que ser uma mãe?



Sempre gostei muito de futebol feminino.

De 96 a 99, quando era apenas um pimpolho sonhador, eu acompanhava atentamente as transmissões de partidas na Band.
Me lembro bem da equipe que trabalhava nos jogos... o irreverente Silvio Luiz, a iniciante Luciana do Valle - mulher adivinhem de quem? - e o ex-advogado do Corinthians, João Zanforlin.
De dois em dois minutos, vinha aquele montão de propagandas:

- Você aí em casa, conheça a maravilhoooosa Porto de Galinhas, viajando pela TAM. Aliás, um grande abraço pro Comandante Rolim! Ah... antes de ir, passe no (falido) Valle Sport Bar e tome aquele chooooope Brahma, a número 1!

E eu, pirralhinho, já achava tudo aquilo um puta saco. Gostava mesmo era da bola redondinha que a maioria daquelas gurias jogava.

Me lembro que cheguei a ir ao Ícaro de Castro Melo, no Ibirapuera, em 97, assistir São Paulo 5x0 Lusa Sant'anna. E esse pode ser considerado um resultado baixo. O time do Morumbi, à época patrocinado pelos Ovinhos Turma da Mônica (alguém lembra?) era um verdadeiro esquadrão. Timaço que monopolizava os campeonatos, aplicando goleadas impiedosas em todas as adversárias. Era muito comum suas partidas terminarem em 15x0 ou resultados do tipo. Não a toa, servia como base para a Seleção Brasileira, que plantou ali uma semente para o aparente sucesso atual.

A goleira era a ruiva Maravilha, que veio do Palmeiras. Sua reserva era Andréia, hoje titular do Brasil. Na zaga, a esforçada, porém atrapalhadíssima Tânia Maria, hoje em dia capitã do escrete canarinho e conhecida como Tânia Maranhão. Me lembro que de alguns erros de passes seus surgiam os poucos gols sofridos pela equipe tricolor. Na armação, a Zidane das damas, dona de um talento espantoso e de uma cabeça raspada a la Sinead O'Connor: Sissi. A seu lado, a onipresente Suzana, sempre com a camisa 11. Na "volância", além da "cadela-de-guarda" (posso dizer assim?) Cidinha, jogava a ótima Formiga - implacável marcadora e boa lançadora - que até hoje brilha pelos campos verdejantes mundo afora. Na frente, uma das maiores artilheiras da história do futebol feminino e hoje reserva na Seleção: Kátia Cilene. A seu lado, Didi. No banco, sob a batuta do excelente Zé Duarte (que conduziu a Ponte ao vice paulista em 77), as atacantes Karin e Cléo Brandão.

Alguém aí se lembra da Cléo Brandão, apresentadora da Band e que chegou a posar nua na época? Entrava no fim dos jogos e... nada.

Isso sem contar com jogadoras de outros times. Pretinha e Fanta, do Vasco, Roseli e Milene Domingues, do Corinthians, Priscila, da Lusa Sant'anna, Michael Jackson, Tafarel...

O bagulho era crazy, como diria o glorioso Benguinha, irmão caçula de Oliver Genghis Kahn Benga, um dos maiores goleiros da história do futebol society.

Tinha até Suzana Werner no Fluminense. Me lembro que ela e a bola tinham uma relação tão pacífica quanto a que ela mantinha com Ronaldo naquela época. Como esquecer que o dentuço até chegou a fazer uma ponta na novela que alterou os rumos da dramaturgia brasileira: Malhação. (E como ator, o Fenômeno se saiu tão bem quanto Suzana se saía)

Mas, deixando meus devaneios de lado, quero tratar de uma dúvida antiquíssima minha, resgatada pela atuação inesquecível da goleira da Coréia do Norte contra o Brasil:

Porquê diabos a esmagadora maioria das goleiras é ruim?

Eu já carcomi os cabelos a pensar numa resposta.
Será que é tão difícil o nível dessas jogadoras melhorar? O que falta?

Tendo em vista os investimentos tímidos no futebol feminino ao redor do globo, pode-se dizer que falta a tão falada "estrutura".

E vocês devem estar se perguntando: "Pô, mas o que você quer dizer com esse clichê luxemburguês?"

E eu respondo, lançando-vos uma pergunta simples:

Vocês acham que um bom preparador de goleiros vai preferir trabalhar onde?

a) no Saad, um dos maiores clubes de futebol feminino do país, ganhando R$ 1000 por mês

b) no PSTC, pequeno clube formador de talentos (Dagoberto e Jadson, por exemplo) do Paraná -, ganhando os mesmos R$ 1000 por mês, mas com possibilidades bem maiores de ascenção profissional


Fica a pergunta.

E a conclusão: não adianta culpar as pobres goleiras, que vira e mexe, são como mães pras atacantes. Elas são apenas um sintoma de um problema imenso, muito maior que as coitadas das arqueiras, baixinhas em sua maioria.


E o mais curioso é que nada disso explica a falha grotesca de Myong Hui Jon, pobre norte-coreana.

Coisas do futebol, né fera?






08.08.08

A Copa da minha vida

Os críticos têm mania de dizer que a Copa de 94 foi feia.
E eu teimo em dizer que não. Que, entre todas que eu vi, foi a melhor.
Quem sabe por ter sido a primeira.
Quiçá por eu ter 6 anos na época e sair mais cedo da aula pra ver os jogos da Seleção, com toda minha família reunida aqui em casa. Me sentia tão malandro por isso...
Ótima lembrança dos tempos em que eu ainda torcia pra Seleção.
Me lembro do álbum que meu primo Danilo tinha e completou.
Eu o estudava minuciosamente, noites a fio. Queria saber tudo sobre todo mundo.

Como esquecer do figurante Bum-Chul Sin, goleiro reserva da Coréia?

E do Julio Salinas, centroavante da Espanha, que tinha muito mais nome do que futebol?

E aquele golaço inesquecível do Al-Owairan contra a Bélgica. E logo em cima do Preud'Homme, um dos maiores goleiros que eu vi jogar.

A cotovelada do Tassotti que quebrou o nariz do Luis Enrique nas quartas-de-final, que fez aquela disputa ser ainda mais épica, com uma pitada de maniqueísmo.

A Nigéria que tanto me encantou com o monstro Okocha, com Daniel Amokachi, Emmanuel Amunike. Um futebol lindo e imprevisível, jogado sem medo. Não importa o resultado, não importa o que digam... aquilo era arte. Teve aquela cena, talvez a mais marcante de todas pra mim: o Yekini, trajado daquele uniforme que parecia um pijama, chorando agarrado às redes, depois de marcar contra a Bulgária.

A falha grotesca do Pagliuca, que tava adiantado, na estréia - com derrota, pra variar - da Itália, contra a poderosíssima Irlanda.

E o fiasco que foi a Colômbia, de quem tanto esperavam? O time tinha Asprilla, Rincón, Valderrama, Aristizabal (na época, um reserva de luxo) e Valencia e era tido como a grande promessa da Copa, já que tinha metido 5x0 na Argentina em pleno Monumental de Nuñez, em 93. Terminou a competição e teve o zagueiro Escobar assassinado, depois do gol contra que fez, a favor dos Estados Unidos. Não dá pra esquecer daquele golaço do Hagi em cima do Cordoba, que se posicionou mal demais. Levou até 2000 pra eu me convencer que, apesar da péssima Copa que fez, ele era um bom goleiro.

Nunca tiro da cabeça aquele grande time da Romênia que tinha Petrescu, Dumitrescu, Lacatus, Radoucioiu, Prunea, Prodan, Popescu e, claro, o craque Hagi. Jogavam fácil. Acho que foi com eles que aprendi o que era contra-ataque.

Os EUA, que jogavam um futebolzinho chocho, mas davam trabalho e eram treinados pelo milagreiro Bora Milutinovic. Diziam que o craque do time era o Eric Wynalda, um atacante mais ou menos do nível do Maxi Biancucci, que cobrava faltas bem. Lembro que o Harkes, capitão do time, levou um amarelo por ficar saltitando enquanto tava na barreira. Certamente, um dos cartões mais inexplicáveis e bisonhos da história do futebol. Lá atrás, tinha o Toni Meola, um goleiro com cara de ator do Barrados no Baile, com aquele rabinho de cavalo do naipe do Steven Seagal. O time tinha uma boa dupla de zaga, é bem verdade: Alexi Lalas - e sua inconfundível barba ruiva - e Marcelo Balboa, que quase fez um gol antológico de bicicleta. Tinha também o Cobi Jones, que chamava mais atenção por causa dos dreads do que pelo futebol e chegou até a jogar no Vasco, em 95.

Dreads que o grande Henrik Larsson também ostentava na época. E que lhe renderam o belo apelido de Larissa, pelo meu primo Dudu. E olha que ele era reserva naquele time da Suécia, que foi 3º colocado.
O time tinha o folião Ravelli no gol, o gordinho e excelente Brolin na meia, o gigante Kenneth Andersson e o bronzeado Thomas Dahlin, lá na frente. Esse último era considerado o craque do time, mas não jogava tudo isso. Aliás, nada disso.

Tinha também a Bulgária do cracaço Stoichkov, do insinuante baixinho Kiriakov (que sempre entrava bem nos jogos), do grande meia Balakov, com seus cachinhos, e do excelente segundo volante - que era quase um meia - carequinha Letchkov. Tinha também o goleirão Mihailov, que tinha sérios problemas com a calvice. E, entre aumentativos e diminutivos, ele. O zagueiro-lobisomem. O jogador mais feio que eu já vi na vida. O grande e temível Trifon Ivanov.

Na Suíça, lembro do atacante Chapuisat, que era ídolo do Borussia Dortmund e do camisa 7, Alain Sutter, um loirinho cabeludo, considerado o craque do time. Tinha um atacante ligeiro também, chamado Knup, mas no geral, o time era bem medíocre.

E na Rússia, como esquecer da dupla de ataque que trucidou Camarões? Oleg Salenko (autor de cinco gols só naquele jogo) e Dimitri Radchenko.

Camarões do Highlander Roger Milla, de seu parceiro Omam-Biyik e do goleiro Joseph Bell, que deixou o lendário Jacques Songo'o e William Andem no banco. Sim, William Andem é aquele arqueiro de qualidade questionável que passou por Cruzeiro e Bahia e que levou um gol detrás do meio-campo do Dutra, lateral-esquerdo hoje no Sport e na época, em 97, no Santos. Me lembro também, claro, do zagueirão Rigobert Song, que já naquela época aprontava das suas peripécias.

E a Bolívia do goleirão Carlos Trucco, do lateral Cristaldo, dos meias Erwin "Platini" Sanchez, Baldivieso - que já fez um gol do meio da rua no Marcos - e, claro, de Marco Etcheverry? El Diablo era apontado como um fenômeno e foi expulso logo na estréia diante da Alemanha. Gol polêmico do craque Klinsmann, eu lembro. Todo mundo pediu impedimento, mas não foi. Aliás, foi ali que eu aprendi o que era o tal do impedimento.

A Alemanha era a atual campeã e tinha Illgner no gol, Völler e Klinsmann na frente, Brehme na lateral, Matthäus de líbero, Kohler e Helmer na zaga, Möller na meia... mas eu lembro mesmo é do limitado Guido Buchwald. E do dedo do meio do Effenberg pra torcida, quando foi substituído contra a Coréia.

E aquela cotovelada sinistra do Leonardo no Tab Ramos, hein? Mó burrice. Foi no dia 4 de julho de 1994. Eis que o Romário achou o Bebeto, que chutou fraquinho, no único espaço que tinha. A bola entrou mansa no gol do Meola e derrubou a garrafinha d'água antes de morrer na rede. Na comemoração, eu lembro dele olhando pro Romário e falando "eu te amo!".

E nas quartas-de-final, quando o Brasil cruzou com a Holanda do Ice-Man Dennis Bergkamp e do Overmars, que tava surgindo com tudo? O melhor jogo da Copa, talvez. Começou fácil e terminou um sufoco. Malandragem do Branco, cavando aquela falta. E o Baixinho desviando as costas da bola? A classificação do Brasil passou por milímetros ali. Foi nesse jogo também que surgiu aquela comemoração do Bebeto, em homenagem ao filho dele. Matheus, se não me engano, era o nome do rebento. Já nasceu famoso.

E a Argentina, que era favorita, desapontou, como fez em 2002. Isso com Redondo (provavelmente o maior volante que já vi) no time. Acompanhado de Batistuta, Cannigia, Simeone, Ortega e Ruggeri. Tinha também o zagueiro carequinha do Boca Juniors, Mac Callister. Isso lá é nome de argentino? Eu, inocente como era, não entendi nada quando apareceu uma mulher de branco levando o Maradona pelo braço, no meio do jogo.

Ah... teve também aquele histórico beijinho do Pagliuca na trave, depois do chute do Mauro Silva na final. Ele ia levar mais um frangaço.

Pô... depois de lembrar de tudo isso, ainda tem gente que quer me convencer que essa Copa foi ruim? Sem chance...