O mini-crítico

De Parelheiros a Wembley, eu tô de olho na bola que rola.

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Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2008, 03

03.09.08

Sobre homofobia e outros vícios

Com os rumores maldosamente espalhados pelo dirigente palmeirense José Cyrillo Jr. acerca da suposta homossexualidade de Richarlyson, criou-se na mídia esportiva em geral um novo paradigma.

Após ter um belo desempenho no segundo semestre de 2007, sendo inclusive coroado com o título de bicampeão brasileiro, o volante são-paulino viu ser construída em torno de si uma espécie de blindagem às críticas.

No ano de 2008, mesmo tendo apenas 3 atuações indiscutivelmente boas - em mais de 40 partidas - Ricky, como o meio-campista é conhecido, continuou a ser elogiado por homens de sorrisos amarelos nas mesas-redondas. A razão? Simples: o receio de que as críticas soassem como manifestos homofóbicos, o que, em si, já é uma postura discriminatória.

Foram raríssimas as vezes em que vi um comentarista ou jornalista questionar a titularidade incontestável de Richarlyson no time de Muricy Ramalho. Não bastassem as medíocres atuações do jogador no ano, o Tricolor ainda conta, para sua posição, com a ascenção do jovem Jean, a afirmação de Hernanes e a impressionante regularidade de Zé Luís. Isso considerando Richarlyson o que ele verdadeiramente é: um volante.

Somente o quadrado Dunga e o criativo Muricy conseguiram enxergar o atleta potiguar como um lateral-esquerdo. Não tenho dúvidas de que, no íntimo, o treinador são-paulino se arrepende amargamente de ter liberado o competente Jadílson para o Cruzeiro por empréstimo de um ano. Isso porque o mais capaz dos laterais que tem à disposição é Júnior, que, com um porte físico semelhante ao dos atletas de showbol, já não aguenta nem mais meio jogo. O jovem Alex Cazumba mostrou na Copa São Paulo de 2007 e na vitória em casa sobre o Botafogo que é promissor e talentoso, mas Muricy ainda o acha muito verde, talvez julgando por suas passagens opacas pelo Rio Claro e Juventude, ano passado. No time de juniores, o São Paulo ainda tem mais um diamante bruto para a lateral-esquerda. Trata-se do abusado Diogo, garoto que hoje serve a Seleção Sub-19. Quem o assistiu na Copa São Paulo deste ano se encantou com tamanho poder ofensivo e com dribles ousados que lembraram Ilsinho.

Mas e o Richarlyson, o que ele é, afinal? Bem, me parece cristalino que Ricky é um jogador com limitações técnicas, mas que não sabe disso. Por isso, frequentemente é visto a errar passes bobos e fáceis por pura displicência, além de ter uma margem baixa de aproveitamento nos cruzamentos e lançamentos. Observando tais características, tiro uma conclusão mais que óbvia: não se trata de um lateral. E nem de um meia.

Trata-se, sim, de um jogador que foi mimado pela imprensa. Esta, por sua vez, parece ter peso na consciência ao poupar o atleta das observações merecidas. Assim, Richarlyson vem sendo privado de ouvir as críticas que lhe incentivariam a melhorar seu futebol. Futebol que, como vimos no ano passado, ele tem.