O mini-crítico

De Parelheiros a Wembley, eu tô de olho na bola que rola.

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2008, 11

11.08.08

O mais próximo do fascismo que o futebol chegou



No post anterior, fiz questão de ignorar o ridículo Campeonato Paulista de Futebol Feminino de 2001.

O certame transmitido pela RedeTV!, ficou conhecido por usar a beleza - um conceito, até onde sei, subjetivo - das atletas como "critério de desempate" no draft realizado antes do torneio.

Segundo o eterno Eduardo José Farah, presidente da FPF naquele e em muitos outros anos, a iniciativa tinha a intenção de "dar uma nova roupagem ao futebol feminino", que andava "muito reprimido pelo machismo". O brilhante critério foi criado pela competentíssima Pelé Sports & Marketing e prontamente avalizado pelo vice da Federação, Renato Duprat - de quem os corinthianos e santistas guardam lindas lembranças.

Caso estivesse interessada, Sissi - a maior jogadora da época - não poderia jogar o torneio, já que o regulamento proibia a presença de atletas com a cabeça raspada. Além disso, previa que as jogadoras usassem maquiagem e uniformes justos. Tudo isso, claro, para afastar o futebol feminino do machismo. Regulamento criado, diga-se de passagem, só por homens.

E eu fico a imaginar:

Quem sabe a empresa de Pelé não tenha se inspirado nas medidas ultra-autoritárias de outro cidadão de quem a massa corinthiana morre de saudades: Daniel Passarella.

O técnico da Argentina em 98 deixou de levar Fernando Redondo à Copa só por ter cabelos compridos. E só não deixou o artilheiro Batistuta de lado porque este aceitou tosar suas prezadas madeixas.

O interessante é notar que tanto a Argentina quadrifinalista na Copa da França, quanto o Campeonato Paulista Feminino de 2001 não vingaram.

E o esporte bretão agradeceu.