O mini-crítico

De Parelheiros a Wembley, eu tô de olho na bola que rola.

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2008, 08

08.08.08

A Copa da minha vida

Os críticos têm mania de dizer que a Copa de 94 foi feia.
E eu teimo em dizer que não. Que, entre todas que eu vi, foi a melhor.
Quem sabe por ter sido a primeira.
Quiçá por eu ter 6 anos na época e sair mais cedo da aula pra ver os jogos da Seleção, com toda minha família reunida aqui em casa. Me sentia tão malandro por isso...
Ótima lembrança dos tempos em que eu ainda torcia pra Seleção.
Me lembro do álbum que meu primo Danilo tinha e completou.
Eu o estudava minuciosamente, noites a fio. Queria saber tudo sobre todo mundo.

Como esquecer do figurante Bum-Chul Sin, goleiro reserva da Coréia?

E do Julio Salinas, centroavante da Espanha, que tinha muito mais nome do que futebol?

E aquele golaço inesquecível do Al-Owairan contra a Bélgica. E logo em cima do Preud'Homme, um dos maiores goleiros que eu vi jogar.

A cotovelada do Tassotti que quebrou o nariz do Luis Enrique nas quartas-de-final, que fez aquela disputa ser ainda mais épica, com uma pitada de maniqueísmo.

A Nigéria que tanto me encantou com o monstro Okocha, com Daniel Amokachi, Emmanuel Amunike. Um futebol lindo e imprevisível, jogado sem medo. Não importa o resultado, não importa o que digam... aquilo era arte. Teve aquela cena, talvez a mais marcante de todas pra mim: o Yekini, trajado daquele uniforme que parecia um pijama, chorando agarrado às redes, depois de marcar contra a Bulgária.

A falha grotesca do Pagliuca, que tava adiantado, na estréia - com derrota, pra variar - da Itália, contra a poderosíssima Irlanda.

E o fiasco que foi a Colômbia, de quem tanto esperavam? O time tinha Asprilla, Rincón, Valderrama, Aristizabal (na época, um reserva de luxo) e Valencia e era tido como a grande promessa da Copa, já que tinha metido 5x0 na Argentina em pleno Monumental de Nuñez, em 93. Terminou a competição e teve o zagueiro Escobar assassinado, depois do gol contra que fez, a favor dos Estados Unidos. Não dá pra esquecer daquele golaço do Hagi em cima do Cordoba, que se posicionou mal demais. Levou até 2000 pra eu me convencer que, apesar da péssima Copa que fez, ele era um bom goleiro.

Nunca tiro da cabeça aquele grande time da Romênia que tinha Petrescu, Dumitrescu, Lacatus, Radoucioiu, Prunea, Prodan, Popescu e, claro, o craque Hagi. Jogavam fácil. Acho que foi com eles que aprendi o que era contra-ataque.

Os EUA, que jogavam um futebolzinho chocho, mas davam trabalho e eram treinados pelo milagreiro Bora Milutinovic. Diziam que o craque do time era o Eric Wynalda, um atacante mais ou menos do nível do Maxi Biancucci, que cobrava faltas bem. Lembro que o Harkes, capitão do time, levou um amarelo por ficar saltitando enquanto tava na barreira. Certamente, um dos cartões mais inexplicáveis e bisonhos da história do futebol. Lá atrás, tinha o Toni Meola, um goleiro com cara de ator do Barrados no Baile, com aquele rabinho de cavalo do naipe do Steven Seagal. O time tinha uma boa dupla de zaga, é bem verdade: Alexi Lalas - e sua inconfundível barba ruiva - e Marcelo Balboa, que quase fez um gol antológico de bicicleta. Tinha também o Cobi Jones, que chamava mais atenção por causa dos dreads do que pelo futebol e chegou até a jogar no Vasco, em 95.

Dreads que o grande Henrik Larsson também ostentava na época. E que lhe renderam o belo apelido de Larissa, pelo meu primo Dudu. E olha que ele era reserva naquele time da Suécia, que foi 3º colocado.
O time tinha o folião Ravelli no gol, o gordinho e excelente Brolin na meia, o gigante Kenneth Andersson e o bronzeado Thomas Dahlin, lá na frente. Esse último era considerado o craque do time, mas não jogava tudo isso. Aliás, nada disso.

Tinha também a Bulgária do cracaço Stoichkov, do insinuante baixinho Kiriakov (que sempre entrava bem nos jogos), do grande meia Balakov, com seus cachinhos, e do excelente segundo volante - que era quase um meia - carequinha Letchkov. Tinha também o goleirão Mihailov, que tinha sérios problemas com a calvice. E, entre aumentativos e diminutivos, ele. O zagueiro-lobisomem. O jogador mais feio que eu já vi na vida. O grande e temível Trifon Ivanov.

Na Suíça, lembro do atacante Chapuisat, que era ídolo do Borussia Dortmund e do camisa 7, Alain Sutter, um loirinho cabeludo, considerado o craque do time. Tinha um atacante ligeiro também, chamado Knup, mas no geral, o time era bem medíocre.

E na Rússia, como esquecer da dupla de ataque que trucidou Camarões? Oleg Salenko (autor de cinco gols só naquele jogo) e Dimitri Radchenko.

Camarões do Highlander Roger Milla, de seu parceiro Omam-Biyik e do goleiro Joseph Bell, que deixou o lendário Jacques Songo'o e William Andem no banco. Sim, William Andem é aquele arqueiro de qualidade questionável que passou por Cruzeiro e Bahia e que levou um gol detrás do meio-campo do Dutra, lateral-esquerdo hoje no Sport e na época, em 97, no Santos. Me lembro também, claro, do zagueirão Rigobert Song, que já naquela época aprontava das suas peripécias.

E a Bolívia do goleirão Carlos Trucco, do lateral Cristaldo, dos meias Erwin "Platini" Sanchez, Baldivieso - que já fez um gol do meio da rua no Marcos - e, claro, de Marco Etcheverry? El Diablo era apontado como um fenômeno e foi expulso logo na estréia diante da Alemanha. Gol polêmico do craque Klinsmann, eu lembro. Todo mundo pediu impedimento, mas não foi. Aliás, foi ali que eu aprendi o que era o tal do impedimento.

A Alemanha era a atual campeã e tinha Illgner no gol, Völler e Klinsmann na frente, Brehme na lateral, Matthäus de líbero, Kohler e Helmer na zaga, Möller na meia... mas eu lembro mesmo é do limitado Guido Buchwald. E do dedo do meio do Effenberg pra torcida, quando foi substituído contra a Coréia.

E aquela cotovelada sinistra do Leonardo no Tab Ramos, hein? Mó burrice. Foi no dia 4 de julho de 1994. Eis que o Romário achou o Bebeto, que chutou fraquinho, no único espaço que tinha. A bola entrou mansa no gol do Meola e derrubou a garrafinha d'água antes de morrer na rede. Na comemoração, eu lembro dele olhando pro Romário e falando "eu te amo!".

E nas quartas-de-final, quando o Brasil cruzou com a Holanda do Ice-Man Dennis Bergkamp e do Overmars, que tava surgindo com tudo? O melhor jogo da Copa, talvez. Começou fácil e terminou um sufoco. Malandragem do Branco, cavando aquela falta. E o Baixinho desviando as costas da bola? A classificação do Brasil passou por milímetros ali. Foi nesse jogo também que surgiu aquela comemoração do Bebeto, em homenagem ao filho dele. Matheus, se não me engano, era o nome do rebento. Já nasceu famoso.

E a Argentina, que era favorita, desapontou, como fez em 2002. Isso com Redondo (provavelmente o maior volante que já vi) no time. Acompanhado de Batistuta, Cannigia, Simeone, Ortega e Ruggeri. Tinha também o zagueiro carequinha do Boca Juniors, Mac Callister. Isso lá é nome de argentino? Eu, inocente como era, não entendi nada quando apareceu uma mulher de branco levando o Maradona pelo braço, no meio do jogo.

Ah... teve também aquele histórico beijinho do Pagliuca na trave, depois do chute do Mauro Silva na final. Ele ia levar mais um frangaço.

Pô... depois de lembrar de tudo isso, ainda tem gente que quer me convencer que essa Copa foi ruim? Sem chance...











Cheguei

Não posso negar que o primeiro post de um blog me dá a patética sensação de estar falando sozinho.