O mini-crítico

De Parelheiros a Wembley, eu tô de olho na bola que rola.

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Terra Blog

Arquivo de: 2008

10.12.08

Mudei

O Terra Blog é uma merda.

Logo, anuncio aos milhões de frequentadores deste espaço que me mudei para o seguinte endereço:

http://minicritico.blogspot.com/

19.11.08

Lemmy, o mártir

Por esgotos e intestinos escuros, no cerne do underground rastejava aquela figura sórdida. Peludo, corcunda e dentuço, ele se enveredava por novos cólons em busca de colo. A verdade é que tornar-se-ia um mito aquele ser que passou horas a fio a farejar a podridão que lhe parecia bastar.

Conheceu a escravidão de perto. Enxergava a servidão como poucos e via seu lado voluntário e fetichioso, revestido de um couro podre, cafona e flagrante. Era quase hormonal sua relação com o senhor daquele engenho, movido a base de pauladas. Visceral, decerto. Inquestionável, única e paciente.

Ah, a paciência... Qualidade dos grandes. Em um tortuoso labirinto, encarou as agruras da fome. Se alimentou de tripas e gases e padeceu. Seu dente seco fustigava seu bucho vazio a procurar qualquer resto por ali. E logo ali, em meio a tanto resto, não restava nada.

É, Lemmiwinks... aí culminou sua jornada, meu caro. Se fudeu, Lemmiwinks.


02.10.08

A letra virou número

Há muito, um rouxinol me contou que o futebol virou negócio. E que é coisa para os românticos mais tolos admirar a estética, o esporte, a plasticidade, a arte, a imaginação... isso é besteira.

Qualquer manifestação de improviso, por mais tímida que seja, é logo enquadrada por doze ou treze microfones, um ou dois publicitários muito bem intencionados, uma Montblanc, dois ou três homens de fraque, um pedaço de papel e uma rúbrica humilde.

E é assim, com urubus coadjuvantes, que o circo todo é montado, sempre em torno do bobo-da-corte.

Em 2002, o Brasil assistiu o surgimento de um negrinho abusado das pernas finas. Seu nome: Robinho. As pedaladas eram sua marca registrada. A mesma que havia consagrado um outro garoto de esqueleto frágil seis anos antes: Denílson.

O destino que os aguardava? Europa, seleção canarinho, flashes e mais flashes, contratos, comerciais, chuteiras, eventos, silicone, promiscuidade, manchetes, carros do ano e sorrisos tão amarelos quanto o manto nacional. E assim, gentilmente, o original cedeu seu lugar ao clichê. O futebol-arte virou pop-art.

"Pra dentro deles, Denílson", diz o locutor ufanista. Aliás, dizia. Hoje em dia, o produto já passou da validade e mofa nas prateleiras do Parque Antarctica. O momento é de Robinho. Mas o tempo passa e logo será a vez de Pato. E assim gira a engrenagem, triste e previsível.

O ciclo é mais ou menos assim: na base, moleque que se preza tem que mostrar que é diferenciado. Tem que dar caneta, dar letra, fazer gol de placa. Enfim, tem de mostrar que ali tem coisa boa. Se der tudo certo, ótimo. Profissional... uma vez no topo, a letra dá lugar ao número. Seja ele um número circense, como é o caso de Robinho ou um punhado de estatísticas, como é o caso de Jorge Wagner. O certo é que todos eles, protagonistas e figurantes, estejam em frente ou atrás das câmeras, gostam mesmo é das cifras. E essas, afinal, não deixam de ser números.

03.09.08

Sobre homofobia e outros vícios

Com os rumores maldosamente espalhados pelo dirigente palmeirense José Cyrillo Jr. acerca da suposta homossexualidade de Richarlyson, criou-se na mídia esportiva em geral um novo paradigma.

Após ter um belo desempenho no segundo semestre de 2007, sendo inclusive coroado com o título de bicampeão brasileiro, o volante são-paulino viu ser construída em torno de si uma espécie de blindagem às críticas.

No ano de 2008, mesmo tendo apenas 3 atuações indiscutivelmente boas - em mais de 40 partidas - Ricky, como o meio-campista é conhecido, continuou a ser elogiado por homens de sorrisos amarelos nas mesas-redondas. A razão? Simples: o receio de que as críticas soassem como manifestos homofóbicos, o que, em si, já é uma postura discriminatória.

Foram raríssimas as vezes em que vi um comentarista ou jornalista questionar a titularidade incontestável de Richarlyson no time de Muricy Ramalho. Não bastassem as medíocres atuações do jogador no ano, o Tricolor ainda conta, para sua posição, com a ascenção do jovem Jean, a afirmação de Hernanes e a impressionante regularidade de Zé Luís. Isso considerando Richarlyson o que ele verdadeiramente é: um volante.

Somente o quadrado Dunga e o criativo Muricy conseguiram enxergar o atleta potiguar como um lateral-esquerdo. Não tenho dúvidas de que, no íntimo, o treinador são-paulino se arrepende amargamente de ter liberado o competente Jadílson para o Cruzeiro por empréstimo de um ano. Isso porque o mais capaz dos laterais que tem à disposição é Júnior, que, com um porte físico semelhante ao dos atletas de showbol, já não aguenta nem mais meio jogo. O jovem Alex Cazumba mostrou na Copa São Paulo de 2007 e na vitória em casa sobre o Botafogo que é promissor e talentoso, mas Muricy ainda o acha muito verde, talvez julgando por suas passagens opacas pelo Rio Claro e Juventude, ano passado. No time de juniores, o São Paulo ainda tem mais um diamante bruto para a lateral-esquerda. Trata-se do abusado Diogo, garoto que hoje serve a Seleção Sub-19. Quem o assistiu na Copa São Paulo deste ano se encantou com tamanho poder ofensivo e com dribles ousados que lembraram Ilsinho.

Mas e o Richarlyson, o que ele é, afinal? Bem, me parece cristalino que Ricky é um jogador com limitações técnicas, mas que não sabe disso. Por isso, frequentemente é visto a errar passes bobos e fáceis por pura displicência, além de ter uma margem baixa de aproveitamento nos cruzamentos e lançamentos. Observando tais características, tiro uma conclusão mais que óbvia: não se trata de um lateral. E nem de um meia.

Trata-se, sim, de um jogador que foi mimado pela imprensa. Esta, por sua vez, parece ter peso na consciência ao poupar o atleta das observações merecidas. Assim, Richarlyson vem sendo privado de ouvir as críticas que lhe incentivariam a melhorar seu futebol. Futebol que, como vimos no ano passado, ele tem.




 

26.08.08

Diariamente 2

Para curvar-se, Rei
Para roubar, castelo
Para correr, Nike
Para punir, Bope
Para matar, Nascimento
Para bater, Cocito
Para comer, Mc
Para ouvir, MC
Para entreter, VJ
Para dançar, DJ
Para falar, Halls
Para beijar, Trident
Para consumar, Audi
Para fotografar, idem
Para mentir, promessa
Para começar, asfalto
Para dar voz, rede
Para tirar, TV
Para aparecer, Rede TV!
Para esquecer, Bossa Nova
Para criticar, rap
Para tocar, jabá
Para desgostar, chefe
Para degustar, chef
Para enrijecer, Viagra
Para enriquecer, indústria
Para choramingar, novela
Para lacrimejar, cebola
Para azedar, vinagre
Para exportar, pés
Para pisar, terra
Para sambar, avenida
Para aprender, linha
Para sobreviver, confissão
Para consertar, academia
Para insistir, bisturi
Para desfilar, dieta
Para clicar, passarela
Para assombrar, notícia
Para versar, tecla
Para beber, Boa
Para devolver, marvada
Para esbanjar, cifra
Para limpar, ONG
Para brigar, pouco
Para morrer, menos
Para conservar, democrata
Para playboy, Caras
Para caras, Playboy